O péssimo hábito da queixa

Freqüentemente me deparo com queixas de todos os tipos nas organizações, queixas do chefe, do salário que poderia ser melhor, da agenda “escondida”, do colega que não quer aceitar a opinião, da vaga de garagem que poderia ser melhor, do auxilio alimentação que é baixo, do carro que a empresa fornece e por aí vai.

Na maioria das vezes posso sentir a auto-defesa, a falta do auto-reconhecimento e o medo na maioria das reclamações. Afinal de contas é mais fácil acusar o outro da sua infelicidade do que se olhar no espelho e decidir mudar de atitude.

Uma coisa que sempre trabalho no coaching é uma tríade de idéias que são extremamente transformadoras e diminuem o hábito viciante das queixas e do negativismo:

  1. Foco no aqui e agora;
  2. Propósito;
  3. Nada é pessoal.

Foco no que tem que ser resolvido hoje, pare de procrastinar, pare de deixar para amanhã o que pode ser resolvido já, pare de se queixar dos afazeres mais enfadonhos. Ao tomar esta atitude você perceberá no final do dia de trabalho o quanto produziu e se sentirá feliz por isso.

O propósito é fundamental para levar sua vida a um novo patamar de felicidade. Logo ao acordar, mentalize que seu dia vai ser sensacional, que aquele problema que não tem solução vai ser resolvido, proponha-se a só por hoje não se irritar no trânsito ou nas discussões de trabalho. Não sei qual será o propósito para o seu dia, mas tenha um, pois afinal de contas, como diz o ditado, se não sabemos onde queremos chegar qualquer caminho serve. E de pensar que perdemos tanto tempo e energia com isso.

Por último, se estamos em um grupo eticamente coeso, bem preparado gerencialmente e numa discussão, um colega de trabalho sai vencedor sobre a idéia que você estava defendendo, lembre-se: ele não quis lhe derrotar, seu ego pensa desta forma, pare, respire, reflita e parta para outra aceitando a idéia vencedora. Afinal de contas, nada é pessoal, são apenas discussões de trabalho.

Parece um exemplo bobo, mas acontecem diariamente em quase todas as empresas discussões e ações que são analisadas através dos olhos do ego. À partir daí a confusão está estabelecida. Lembre-se, nada é pessoal. Como falamos sobre o ego e as queixas, trago um texto do Eckhart Tolle para provocar ainda mais você.

Queixas

“Queixar-se é uma das estratégias prediletas do ego para se fortalecer. Cada reclamação é uma pequena história que a mente cria e na qual acreditamos inteiramente. Não importa se ela é feita em voz alta ou apenas em pensamento. Alguns egos que talvez não tenham muito mais com o que se identificar sobrevivem apenas com queixas. Quando estamos presos a um ego assim, reclamar, sobretudo de alguém, é habitual e, é claro, inconsciente, o que mostra que não sabemos o que estamos fazendo.

Uma atitude típica desse padrão é aplicar rótulos mentais negativos às pessoas, seja na frente delas ou, como é mais comum, falando sobre elas com alguém ou apenas pensando nelas. Xingar é o modo mais rude de atribuir esses rótulos e de mostrar a necessidade que o ego tem de estar certo e triunfar sobre os outros: idiota, desgraçado, prostituta, todas essas afirmações sobre as quais não se pode argumentar. No nível seguinte, descendo pela escada da inconsciência, estão os gritos. Não muito abaixo disso se encontra a violência física.

Veja se você consegue capturar, ou melhor, perceber, a voz na sua cabeça – talvez no exato instante em que ela está reclamando de algo – e reconhecê-la pelo que ela é: a voz do ego, não mais que um padrão condicionado, um pensamento. Sempre que a observar, compreenderá que você não é ela, e sim aquele que tem consciência dela. Na verdade, você é a consciência que está consciente da voz. Atrás, em segundo plano, está a consciência. À frente, se situa a voz, aquele que pensa. Dessa maneira, você estará se libertando do ego, livrando-se da mente não observada. No momento em que você se torna consciente do ego, a rigor ele não será mais o ego, e sim um velho padrão mental condicionado.

O ego implica em inconsciência. Ele e a consciência não podem coexistir. O velho padrão mental, ou hábito mental, pode sobreviver e se manifestar por um tempo porque tem o impulso de milhares de anos de inconsciência humana coletiva atrás de si. No entanto, toda vez que é reconhecido, ele se enfraquece.”

Eckhart Tolle

By | 2017-08-30T22:02:40+00:00 30/08/2017|Motivação|0 Comments

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